Uma mente inquieta 23 Abril, 2007
Posted by leninha in NZ.trackback
Uma mente inquieta, é o título do livro que terminei de ler ontem escrito por Kay Redfield Jamison uma autoridade internacional em doenca maníaco depressiva, atualmente conhecida como bipolaridade. Neste livro ela fala sobre sua própria luta contra a doenca que se manifestou pela primeira vez aos dezessete anos.
Nao é o primeiro livro ligado á assuntos psicológicos que leio e certamente nao será o último, porque realmente gosto e me interesso por psicologia desde muito nova. Encontrei este livro em português aqui na biblioteca da cidade onde vivo, e o li em dois dias, é tao diferente e prazeroso ler um livro em nosso próprio idioma quando você está á algum tempo lendo somente em inglês e alemao, para mim foi como um banho de água fresca em um dia de verao…
Fiquei comovida com o relato dela, sobre como a bipolaridade quando muito avancada pode acabar com a vida de um ser humano, e o quanto também a mesma presenteia os seus portadores quando estao na fase da mania e nao dormem e produzem e criam muito, aliás dizem que os mais conceituados artistas do passado eram portadores da doenca que é de ordem física e hereditária, e por isso pode ser controlada com medicamentos e psicoterapia. No caso dela o tratamento indicado foi o lítio, o medicamente que a trouxe de volta depois de muitas crises sérias de mania e depressao profunda e uma tentativa de suicídio, pois ela se negava á tomar medicamentos acreditando que poderia lutar sozinha contra suas crises. Atualmente ela tem um vida normal sem crises e reduziu a dose de litío, mas no final do livro ela fala sobre a falta que a doenca faz na vida dela pois antes a vida era mais intensa, assim como ela descreve:
E entao por que eu iria querer ter alguma coisa com esta doenca? Porque acredito sinceramente que, em consequência dela, senti mais coisas e com mais profundidade; tive mais experiências, mais intensas; amei mais e fui mais amada; ri mais vezes por ter chorado mais vezes; apreciei mais as primaveras apesar de todos os invernos; vesti a morte bem junto ao corpo como calca jeans;, aprendi a apreciá-la, e à vida, mais; vi o que há de melhor e mais terrível nas pessoas e aos poucos aprendi so valores do afeto, da lealdade e de ir até o fim. Conheci os limites da minha mente e do meu coracao, e percebi como os dois sao frágeis e incognoscíveis. Em depressao, engatinhei para poder atravessar um quarto e fiz isso meses a fio. No entanto, normal ou maníca, corri mais, pensei mais rápido e amei mais do que a maioria das pessoas que conheco. E creio que boa parte disso está relacionada á minha doenca - a intensidade que ela confere as coisas e à perspectiva que ela me impoe…. pág 260
No livro ela deixa bem claro que sem o lítio, a psicoterapia e o amor da família e amigos ela jamais teria conseguido vencer esta luta, pois esta é uma doenca de ordem física e pode ser tratada na maioria dos casos, embora muitos portadores acreditem como ela acreditava que nao precisam de medicamentos. ( nao só uma conhecedora profunda, é a opiniao da autora, estou apenas frisando isto porque pelo que li no livro acredito também no tratamento com medicamentos em casos muito avancados como era o dela)
Uma mente inquieta
Kay Readfield jamison
editora: Martins Fontes
ISBN 85-336-0525-0
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