Mais dicas 1 Setembro, 2007
Posted by leninha in Design, NZ.trackback
Meus amigos do iMasters me pediram dicas de apresentação para os candidatos que, em seu evento InterCon 2007, terão, em apenas três minutos, a oportunidade de mostrar seus portfólios a alguns dos melhores diretores de criação do mercado. Já que uma situação dessas pode acontecer com qualquer um em momentos cruciais na apresentação de projetos ou na busca por emprego, resolvi reproduzir as 21 dicas aqui:
- Respire. A emoção pode ser grande, mas nunca o suficiente para comprometer a qualidade da apresentação. Ao chegar sua vez, respire fundo duas ou três vezes antes de falar. Isso costuma diminuir a ansiedade, o que naturalmente reduz velocidade da fala. Ao falar mais pausadamente você transmite segurança, clareza e faz com que o encadeamento de idéias seja mais natural e compreensível, o que facilita sua avaliação.
- Olhe nos olhos. Mas não encare nem desafie. Lembre-se que eles já passaram por situações como esta várias vezes na vida. Isso não significa que devam compreendê-lo ou ajudá-lo, mas que podem levar em conta eventuais deslizes ou imperfeições.
- Eles já viram coisa melhor. E não foi de você. Esses profissionais costumam estar em contato com o que há de melhor na sua área. Por melhor que seja sua idéia, não espere admiração. Se ela tiver valor, ele será reconhecido na medida adequada.
- Apresente-se. E cumprimente as pessoas. Se você quer causar uma boa impressão, pense na conduta que deixaria sua avó orgulhosa. Alguns valores são perenes.
- Seja discreto. Humilde talvez seja a melhor palavra. Sua idéia deve ser melhor que você. Quanto melhor o profissional, menos ele fala de si e mais de sua obra.

- Evite firulas. Não há tempo para gracinhas, efeitos especiais e maquiagens que só desviam a atenção do material a apresentar. Lembre-se da recomendação 3 e pense que, se o efeito for melhor do que a peça, ele a desvalorizará. Na melhor das hipóteses, o trabalho terá sido inócuo.
- Evite piadas e trocadilhos. Lembre-se que chavão só abre porta grande e evite qualquer frase feita, argumento de livro de auto-ajuda ou expressão do corporativês, como maximização de mindshare, seja lá o que isso signifique.
- Tenha ritmo. A apresentação e as peças devem fluir naturalmente, sem quebras ou sustos. Pense na forma com que programas de notícias encadeiam assuntos e busque uma linha de raciocínio que mostre que, por trás daquele material existe uma filosofia criativa uniforme.
- Ensaie. Apresente suas peças para amigos, família, professores. Ouça os comentários deles que, mesmo que não entendam “nada” de talento, tendências ou design, certamente sabem mais de relações humanas que você, obcecado na venda de seu peixe.
- Não generalize. Por mais que a publicidade convencional insista em afirmar o contrário, nem todo homem é igual, nem toda criança pensa igual, nem todo paulista vive igual. Generalizar é perigoso e uma afirmação que soe preconceituosa pode causar vexames destruidores para sua apresentação e imagem como um todo.
- Seja correto (politicamente). Não importa o que você pense. Discordo do ponto de vista de vários amigos meus, mas conheço-os a tempo suficiente para não poder julgá-los por isso. Você não terá esse benefício. Lembre-se da recomendação anterior.
- Evite intimidades. O mercado publicitário é informal e pequeno o suficiente para que muitos sejam amigos e se tratem informalmente, mas essa intimidade é adquirida, não automática. Como regra geral, trate o outro como é tratado e isso poupará uma série de problemas.
- Concentre-se na idéia. É por causa dela que você está ali, não desvie o assunto. Se você morou em Londres, isso não é assunto. A política e a economia tampouco. Todos estão ali com um objetivo em mente. O resto é secundário, e pode ser abordado depois.
- Seja claro. Do que trata sua idéia? Qual seu objetivo? Público? Formato? Diferencial? Resposta esperada? Uso da mídia? Você têm as respostas na ponta da língua? Então reexamine as peças.
- Seja consistente. Evite contradições. Todas as peças de sua apresentação devem refletir uma filosofia de trabalho sólida e coerente, que, em última hipótese, simboliza o que você acredita e como trabalha. Essa linguagem subliminar é mais importante que qualquer peça apresentada.
- Relaxe e improvise. Não seja “engessado”, caso contrário parecerá que a idéia não é sua. Não se prenda a um script e esteja à vontade para pular partes ou exemplificar comentários apresentados. Se questionado, não apresente respostas-padrão. Pense em telemarketing e faça o contrário.
- Seja relevante. Nem publicitários acreditam que suas peças mudarão o mundo ou farão história, mas todos querem que seus objetos criativos sejam importantes, pelo menos temporariamente. Para isso é fundamental que tragam conteúdo e que representem um papel significativo no conjunto da comunicação.
- Abandone o óbvio. Se você viu algo no YouTube, seu amigos também já viram. Se uma solução criativa foi desenvolvida para uma grande marca, certamente você não será o primeiro a ver. O que dizer então daquele efeito de animação, daquela paleta de cores, daquele estilo de ilustração que todo mundo comenta? Simples: se passar pelo crivo da recomendação 17, pode seguir em frente. Caso contrário, é melhor partir para outra.
- Escute. E nunca, nunca, discuta. Se eles não entenderam o que você disse, é porque você não explicou direito. Paciência, fica para a próxima. Você deve viver de um conjunto de idéias e ter segurança suficiente para não se apegar a nenhuma delas. Se você não concorda com o julgamento, talvez seja avançado demais para a época. Tanto faz. Não vai ser ali que você conseguirá expor seu ponto de vista. Não há tempo para isso.
- Agradeça. Ao final da apresentação lembre-se que, por pior que tenha sido sua avaliação, ela é extremamente válida. Mesmo que você discorde de tudo, agradeça. Lhe foi feito um favor, mesmo que você demore algum tempo para reconhecer.
- Aprenda. A troca de idéias é fundamental para a evolução, mas isso só acontece quando há aprendizado. Ou seja, quando o indivíduo, confrontado em seu ponto de vista, se predispõe a mudá-lo. Crianças mimadas, fanáticos religiosos e imbecis em geral têm em comum a incapacidade de compreender o ponto de vista do outro e, nesse processo, crescer.
Se essas dicas deixaram você ainda mais nervoso, saiba que praticamente ninguém consegue segui-las. Pelo menos não todas. Minha inspiração para escrevê-las foi o conjunto de oportunidades que perdi ao longo da vida por não respeitar algumas delas.
Para quem estiver com bloqueio criativo, uma olhada aqui talvez ajude.
Fonte: http://dwd3.blogspot.com/
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